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Competição 2017-06-11T08:26:06+00:00

COMPETIÇÃO

Na estrutura da literatura clássica, o leitor sempre vai encontrar um herói e um anti-héroi: o mocinho e o bandido. As aventuras do primeiro dependem das do segundo. Um protagonista não se sobressai sem superar um inimigo pronto para criar obstáculos e dificuldades enormes em seu caminho.

Podemos dizer que o empreendedorismo aventureiro de Steve Jobs foi impregnado desta estrutura narrativa. E, claro, Steve Jobs se sentia confortável no papel de herói, sempre em busca de seu anti-herói, um vilão para vencer e lutar, a fim de exaltar seus feitos e aventuras perante os olhos atentos do público.

No início de sua carreira, quando a Apple era ainda uma start-up no Vale do Silício, Steve Jobs atacou o consolidado e histórico monopólio da IBM que, na época, era o player mais importante no setor de TI. Naqueles anos, de 1977 a 1984, toda vez que dava entrevistas na TV e participava de conferências, ele lançava ataques e provocações contra o gigante da informática. Steve Jobs, o pequeno Davi, parecia gostar de mexer com o colossal Golias.

De 1984 em diante, o alvo da vez foi Bill Gates, em uma luta sem tréguas pela autoria dos sistemas operacionais com cursores e janelas (Windows x Mac OS). Steve Jobs acusou a Microsoft de plágio, que naqueles anos cresceu como nenhuma outra empresa do setor.

A competição imperava até mesmo dentro de sua própria empresa: Steve Jobs estava sempre lutando, testando seus interlocutores, colocando em prova cada funcionário, seus dependentes. Suas batalhas eram cansativas e intermináveis, o que acabou resultando em sua própria demissão pelo Conselho de Administração em 1984.

O estilo empreendedor de Steve Jobs nunca mudou, sua busca infindável por um inimigo para combater durou até os últimos anos da sua vida e permeou toda a sua carreira profissional, como demostram as batalhas legais brutais e desgastantes com o Android e o Google.